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FOGO SAGRADO DE
ITZACHILATLAN

TRADIÇÃO AMERÍNDIA NO BRASIL

O Fogo Sagrado de Itzachilatlan é uma organização da Tradição Espiritual Indígena da América, que por sua vez tem existência desde os tempos imemoriais. 

 

“Fogo Sagrado” como fonte de luz e calor, é o centro da própria vida, símbolo da verdadeira sabedoria. Itzachilatlan, que vem do idioma Nahuatl falado pelo povo mexicano (povo Azteca) e quer dizer “Terra dos Gigantes Vermelhos”, que é uma maneira de chamar o nosso continente Americano.

 

Compreendemos que essa tradição espiritual indígena da América possui em sua raiz o mesmo fundamento das tradições espirituais das quatro raças humanas (vermelha, amarela, negra e branca), pois o fundamento do espírito da vida é um só, ainda que possa ser interpretado de diferentes maneiras. 

 

Oficializado por Tekpankalli no início da década de 1980, sendo ele a liderança máxima internacional do grupo - Chefe dos Chefes do Fogo Sagrado de Itzachilatlan. No Brasil, o grupo começou a organizar suas atividades por volta do final da década de 1990, dirigido por Haroldo Evangelista Vargas, médico psiquiatra, natural de Canoinhas/SC, que conheceu Tekpankalli em viagens pela América do Sul para participar das cerimônias do Fogo Sagrado. Assim, o movimento consolidou-se aqui no início dos anos 2000, como FSI do Brasil.

 

Haroldo recebeu o nome de Ehekateotl Karaí Riapu Uvdju na tradição, e foi reconhecido por Aurelio Diaz Tekapankalli como Chefe e Líder Espiritual do Fogo Sagrado do Itzachilatlan do Brasil, sendo o fundador e líder da primeira Igreja Nativa Americana no país, que se apresenta como representante de uma “tradição espiritual indígena da América”, “que tem existência desde tempos imemoriais”, e que busca a essência de todas as cerimônias espirituais da América, tradição comumente chamada de Caminho Vermelho, cuja origem teria procedência em povos nativos da América do Norte.

 

Conforme conta Tekpankalli (2005), a fundação da igreja se deve mais ao fato da necessidade de reconhecimento como associação oficial pelo Estado do que por opção, sendo que nos Estados Unidos, o registro do Fogo Sagrado como igreja ou associação religiosa garante ao grupo o direito legal de realizar suas cerimônias.

 

Itzachilatlan do Brasil é o único instituído juridicamente como Igreja Nativa Americana no país e que inclui na sua proposta formar carregadores da tradição.

 

Nos demais grupos, há a realização das práticas com discurso que contêm ensinamentos nativos, mas não há o propósito em formar condutores de cerimônias. 

 

O Fogo Sagrado aponta para o fato de que não há separação. Só existe separação imaginária. 

 

Tudo é vida, tudo é um. E a unidade se traduz no que está acontecendo neste exato momento, pois este instante não possui fronteira alguma.  

 

Tudo o que existe é apenas o que está acontecendo agora.

O resto, é apenas fantasia.

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Aurelio Diaz Tekpankalli 

Aurelio Diaz Tekpankalli é fundador e líder internacional da Native American Church of the Sacred Fire of Itzachilatlan,fundada nos Estados Unidos, em Chicago/IL, que tem representações em diversos

países do continente americano e da Europa, entre eles México, Colômbia, Peru,Equador, Chile, Argentina, Brasil, Portugal, Espanha e Inglaterra.

 

Tekpankalli nasceu em 1954, em Michoacán, México, onde viveu durante a infância e o começo de sua juventude, e se denomina como índio purepecha52. Ele relata que teve uma forte influência de seu avô, que era descendente de indígenas e vivia no campo. Durante a adolescência, mudou-se com seus pais para os Estados Unidos e durante parte de sua juventude nos EUA passou a praticar arte através da pintura, com temas relacionados ao indigenismo e política, que ele expressa ser decorrente da inspiração e treinamento que recebeu de seu avô Purepecha nabusca do “conhecimento dos seus ancestrais”. A maioria de suas obras está em Chicago e na Cidade do México, sendo que seus murais também apareceram na National Geographic e Revista Américas.

 

 

Tekpankalli conta que começou a participar das cerimônias a partir deencontros com “irmãos indígenas” nos Estados Unidos, sendo dessa maneira que iniciou a sua participação em Cerimônias de Temazcal e de Medicina, da Dança do Sol e da Busca de Visão, na qual participou pela primeira vez em South Dakota em 1980, e dessa forma começou a conhecer alguns líderes indígenas norteamericanos como Henry Crow Dog, Leonard Crow Dog, Black Elk, entre outros. Tekapankalli também relata que morou em diversas reservas indígenas, participando de várias cerimônias e rituais com anciões, onde teria sido iniciado em diversas “tribos e nações indígenas”, entre elas os Lakota Sioux de Rosebud, onde teria sido reconhecido como um Chefe da Dança do Sol.

 

Tekpankalli também expõe que, posteriormente, propôs-se a expandir esse conhecimento para além das fronteiras das comunidades indígenas, recombinando esses elementos que reuniu ao longo de sua trajetória, que culminaram na fundação da Igreja Nativa Americana do Fogo Sagrado de Itzachilatlan. Tais relatos sobre a sua trajetória e sobre o Fogo Sagrado se fazem presentes em dois livros escritos por Tekpankalli: Una voz para los hijos de la tierra. Tradicion oral del Camino Rojo (1996) e El regreso al camino de mis antepasados (2005), que foram lançadas pela Igreja Nativa Americana de Itzachilatlan.

 

Uma das ideias presentes na cosmologia do Fogo Sagrado é a de que todos são “filhos da terra”, portanto todos são indígenas.

Pelo que, Tekpankalli sustenta que “seriamos os ‘descendentes originais dessa terra nativa’, sendo que nossa origem e ascendência estariam na memória milenar da terra e do universo”. Nesse sentido, entre os propósitos da nossa existência teríamos que recordar a “verdade original”, “a memória e os conhecimentos mais antigos”, dos “nossos antepassados”, que estariam todos ligados a Pachamama (Mãe Terra, Natureza), morada comum e provedora da vida no planeta. Nesta visão, também se entende que todos estão relacionados na Terra, sendo que todos têm uma mesma origem e um mesmo fim (Tekpankalli, 2007).

Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL - HENRIQUE DA COSTA RESSEL.

Cerimônias nativas: tradição e inovação no Fogo Sagrado de Itzachilatlan.

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