Compartilhando uma breve história

November 8, 2014

Sobre esse "Eu"que sou:

 

 

Dentre tantos momentos do agora, uma pessoa me pediu para falar sobre o meu trabalho de Cerimônias e Terapias, qual o foco e intento do que realizo. Quando ela me fez essa pergunta, veio um ensinamento que tive aos 7 anos de idade, diante do fogo no terreiro de minha amada grande mãe ascendente ( Quithêh) que tive e que carrego no presente em meu sentir diário. Relembrando, consigo ouvir a sua voz como um sussurrar, que dizia o seguinte:
“Meu neto, feche os olhos e escute o que vou rezar em seu ouvido. 
Irei repetir quatro vezes. 
Ao término de cada rezo, abra os olhos e olhe para dentro do núcleo deste ávido fogo. 
Feche os olhos. 
Sinta o calor do fogo, sinta que tudo à sua volta te acolhe e te cuida da mesma maneira que eu cuido e escuto. 
Seja noite ou dia, no Universo e aqui na Terra, sejam estas as duas leis sagradas da vida: Primeira, nunca 
viole ou prejudique o seu corpo, o seu sentir, o seu pensar e o seu espírito; Segunda: nunca viole ou prejudique o corpo do outro, o sentir do outro, o pensar do outro e o espírito do outro. Siga e esteja sempre em paz, respeitando estes espaços sagrados ao longo do seu caminhar. Viva tudo o que precisa ser vivido, aprendido, sentido e visto, nunca negue o seu sentir, olhe de frente para todos os medos e sombras, mas nunca se deixe aprisionar pelo tempo além do tempo professor, sendo vítima de alguma coisa. 
Siga vivendo e recordando deste rezo e, ao longo de sua jornada, compreenderá tudo o que se resume nessas duas leis de vida e tudo o que está ligado a elas. 
E, no tempo certo, compartilhe o saber desses ensinamentos vividos por você. 
Conhecerás outros saberes e outras ciências de nativos como os de sua raiz e de outros conhecimentos de cura, unindo tudo isso em seu coração e compartilhando a partir desta prática. Abençoado seja sempre o seu caminhar”.

 

 

Ao abrir os olhos, sinto ainda hoje cócegas em meu estômago, subindo até o meu coração, trazendo à tona aquela sensação, percebendo que aquela criança ainda está aqui, sendo agora acolhida não só pelos ensinamentos ancestrais, mas também por mim.
Hoje, olhando para tudo o que vi, senti, pensei, convivi e aprendi, busco compartilhar esta des-coberta, que vem das práticas e aprendizados obtidos ao longo deste caminhar. Quando se sente a profundidade desta simplicidade, colocado o devido olhar e investigação, percebe-se o conteúdo do respeito a si e à vida. 
Minha alegria se encontra em compartilhar o entendimento do que é macular este corpo, este sentir, este pensar e este espírito ou energia de vida. Vamos pegar, por exemplo, esta primeira etapa e tudo o que a envolve: “nunca viole ou prejudique o seu corpo ou o corpo do outro”. Só aqui, se dermos uma boa olhada, já se tem bastante trabalho de despertar de consciência, pois trata-se não só do cuidar bem deste corpo, de tudo o que se entende do que é cuidar bem de um corpo e tudo o que o nutre, mas de perceber como se relacionar com o cuidar bem do ambiente em que se vive, ou seja, cuidar bem do corpo, da casa, do planeta e tudo o que habita nesta casa de todos nós. Olhar para o próprio umbigo é uma coisa. Ficar preso a ele, é outra coisa.

 

Sthan Xannia Tehuantepelt)

 

 

 

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